All in em uma operação?


Certamente você já ouviu a seguinte expressão: nunca coloque todos os ovos em uma mesma cesta.

Essa expressão reforça a ideia de que você deve diversificar o seu capital a fim de minimizar os riscos e é totalmente contrária à ideia de entrar all in em uma operação.

Todavia, muitos investidores adotam essa estratégia como uma tentativa de alavancar o capital.

Hoje, 18/05/2017, tivemos um exemplo de como operar na renda variável significa estar exposto a qualquer situação. O mercado em clara tendência de alta e do nada uma notícia bombástica faz o mercado abrir em circuit-breaker. 

Nessa hora não há stop que salve e o investidor vai ter que tomar uma decisão bem rápido: manter e passar a ser um torcedor ou vender e recuperar em outra operação? E se estiver all-in? 


O que seria entrar all-in em uma operação?


Dar all in, entrar all in ir de all in é quando todo o patrimônio é redirecionado para uma única operação a fim de maximizar os ganhos. 

De outro lado, seu capital ficará totalmente exposto e você arriscará perder tudo caso a operação dê errado.

Para alguns, arriscar na operação todo o patrimônio significa incluir tudo mesmo. Outros, utilizam todo o valor destinado à aplicações e ressalvam patrimônio relativo a bens imóveis.


Qual o risco da operação?


É extremamente arriscado entrar all in em uma operação, pois todo o capital ficará exposto a um único papel e se algo der errado, pode ser que não sobre capital algum.

Ah Finansfera, eu posso mitigar o risco usando stop!

Não é bem assim.

Sempre há o risco de sair uma notícia negativa e o papel abrir com gap de baixa e sequer der chance de sair do papel ou a saída custará muito caro, no caso de pular o stop.

Ou ainda pode ocorrer o extremo, o papel nem abrir para negociação. São raros os casos e normalmente as empresas encontram-se em dificuldades. De todo modo, o risco é inerente a qualquer empresa listada na Bolsa.

Lembram do caso OGX? Antes do Eike desabar e a empresa perder a credibilidade ela negociava milhões diariamente.

Imagine um investidor que tenha entrado all-in em OGXP3 antes da empresa anunciar a redução nas estimativas de produção de petróleo, quando papel estava ali na faixa dos R$ 9,00 a R$ 10,00.
















Fonte: br.advfn.com

Caso o investidor tenha dormido comprado em 26/06/2012, ao abrir o home-broker em 27/06/2012 deparou-se com uma ingrata surpresa e 20% mais pobre.
















Fonte: br.advfn.com

O problema nesse caso é o investidor cair naquela de segurar para o longo prazo e vender quando o papel recuperar ou comprar mais para fazer preço médio.

No caso, quem adotou essa estratégia teve a chance de fazer PM na faixa dos 5,00 e sair nos 7,00, pois depois disso o papel caiu para centavos.

Esse é um exemplo de como entrar all-in em uma operação pode ser prejudicial ao assumir um risco extremo na tentativa de alavancar o patrimônio.

Vamos a outro exemplo, alguém lembra de CZRS4? Era o finado Banco Cruzeiro do Sul:





















Em 03/06/2012 foi decretada, pelo BC, a intervenção no Banco Cruzeiro do Sul. O papel que já vinha de queda desabou de vez. Por alguns meses andou de lado, até que em 14/09/2012 foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco e as negociações das ações foram interrompidas.

Enfim, esses foram apenas dois exemplos de como entrar all-in pode dilacerar seu patrimônio.

Todavia, também há casos em que o all-in pode ser uma boa estratégia. O caso mais recente é de Magazine Luiza (MGLU3). O papel encontra-se em uma subida vertiginosa e rompeu todas as resistências gráficas. 

A título exemplificativo, quem comprou 1000 ações no final de 2015, investiu de R$ 8000,00 a 17.000,00, dependendo da cotação que pegou. 

Se a pessoa manteve o papel em carteira até hoje, ela teria R$ 278.000,00, uma valorização e tanto: mais de 1500% caso a compra tenha sido em R$17,00 e mais de 3000% caso tenha comprado nos R$8,00.

Claro que é um caso único e não recordo se teve outro papel com tamanha valorização. Talvez Telebrás, naquela época que oscilava entre R$ 0,03 e R$ 0,04 e anunciaram a reativação da empresa. 

Na verdade é muito difícil acertar um case assim, e quando a pessoa acerta é difícil manter-se na posição por um período longo, haja vista que o fator psicológico influencia bastante, ainda mais quando a pessoa investe todo o patrimônio em um único papel. 
Quem leu o blog do Pobreta vai lembrar do all in dele em Eletropaulo e toda agonia e angústia pela qual ela passou.


A minha experiência


Quando, comecei a investir e o capital era pequeno várias vezes fui de all in. Algumas vezes tive sucesso e ajudou a alavancar o capital. Outras vezes não dei sorte, e quando o papel andava de lado ou desvalorizava vendia e mantinha as perdas de forma controlada. A verdade é que quando o capital fica maior é difícil ter coragem e ficar refém de uma operação. 

Recentemente, no início de 2016 cogitei entrar all in em BRSR6. A cotação estava na faixa dos R$ 5,00 e parecia bastante atrativa, todavia o momento no Brasil não estava legal e ainda tínhamos dúvidas sobre o impeachment e o Estado do RS estava quebrado. Passado esse momento, o papel chegou a R$ 19,00. Caso tivesse entrado nessa operação o retorno teria sido de 210%, se tivesse encerrado a posição ontem a R$ 15,50. Se encerrasse hoje a R$ 12,50, ainda assim seria 150% de valorização.

Ao invés disso, resolvi diversificar (há um tempo eu decidi que não correria mais riscos e meu lema seria diversificação) e mesmo assim tive um retorno interessante nesse mesmo período: 140% de retorno na carteira. 
Uma carteira a qual eu giro bastante. Não consigo manter-me comprado em papeis por muitos meses e o hoje é um exemplo do porquê.

Se eu tivesse adotado a estratégia all in o meu retorno teria sido maior. Todavia, estaria em uma posição de alto risco, mesmo sendo investimento em Banco (vide CZRS4 citado acima). 
Com a diversificação tive um retorno muito bom, meu risco foi totalmente mitigado e tive noites tranquilas de sono que é o que importa. 

E vocês? Já assumiram uma posição all in? Como foi a experiência?   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente aqui.

Abaixo você encontra os posts mais recentes da blogosfera financeira