Custo Brasil e o impacto nos preços

Fala pessoal, tudo beleza?! 

As férias acabaram e com elas findou-se a minha estadia no exterior.

Muitos podem pensar que uma viagem ao exterior é um luxo que não podem se dar, mas como já mencionei anteriormente, são essas viagens que me inspiram a trabalhar mais e mais pela independência financeira, pois a cada viagem a vontade de largar o Brasil e se mandar só aumenta. 

E dessa vez não foi diferente. 

É incrível como vivenciar outras culturas te abre a mente e te dá novas perspectivas de ver a vida e planejar o futuro. 

Antigamente eu pensava que um milhão seria suficiente para largar tudo e viver uma vida frugal em uma praia interiorana no nordeste. 

Mas a vida dá voltas e voltas e diversos acontecimentos fazem você mudar suas perspectivas e objetivos. 

E hoje eu vejo que o Brasil não é um país barato para se viver, sem falar que o retorno pelo imposto pago não existe para a população, pois dependemos de segurança privada, de saúde privada, educação privada, transporte privado, etc. 

Ah Finansfera, você vai dizer que na Europa é mais barato que no Brasil, mesmo com o Euro/Real a 1 para 4? 


Vou afirmar categoricamente que sim (com exceção da Suíça, a qual eu digo que é um mundo à parte).

Sabe aquela expressão conhecida de quem viaja para o exterior: "quem converte não se diverte"? 

É nessa expressão que se baseia minha análise e com os preços vivenciados em alguns países pelos quais passei e fiquei mais tempo, como França, Itália, Espanha e Portugal. 

Por um minuto esqueça a diferença de cotação que existe entre Euro e Real e pense em unidade monetária: que 1 euro vale 1 conto e que 1 real vale 1 conto. Afinal, os Europeus ganham em Euro e pagam em Euro.

Agora pense no seu salário, o valor que você ganha... Mil conto, dois contos, três, cinco, dez contos ou mais? Pense na possibilidade de ganhar o que você ganha mas em Euros.

Agora vou expor algumas situações de quanto eu gastaria lá e quanto gastaria aqui:

No mercado, após seu dia de trabalho, você passa no setor de cervejas especiais e compra uma garrafa de Delirium Tremens de 330 ml. Quanto você acha justo pagar nessa cerveja? 2,70 contos ou 35,90 contos? Na Europa, você paga 2,70. No Brasil, para degustar sua Delirium vai custar 35,90. Com sorte você vai pegar uma promoção e pagar 32,90. Lá, a promoção é de 70% de desconto na 2ª unidade em produtos selecionados. Esse desconto não tinha na Delirium, é verdade, mas tinha em dezenas de outras cervejas e produtos no Supermercado El Corte Inglés. Imagine fazer um rancho e comprar diversos produtos com 70% de desconto? 



Aqui nem na Black Friday Black Fraude conseguimos descontos assim. 

Gosta de vinhos finos? A partir de 2, 3 contos você acha diversos rótulos à sua disposição.. cabernet, merlot, syrah, tempranillo e por aí vai. Por aqui, esqueça que vai achar algum rótulo por menos de 20 conto.

Vejam que nesse caso mesmo convertendo o valor para reais, ainda assim aqui no Brasil custa o dobro/triplo do que lá fora. 

Isso por que? 

Certamente já ouviste falar em Custo Brasil: são impostos, depois, mais impostos, depois mais impostos, burocracia, taxas, mais impostos, corrupção e por aí vai. Isso é o Custo Brasil.
Neste link tem uma entrevista que explica bem essa questão relativa ao custo tributário e burocrático envolvido na importação desses produtos. Para se ter uma ideia a carga tributária do vinho importado está estimada em 82,25% e das cervejas importadas em torno de 60%. 

(Bom, aqui no Brasil nem água mineral escapa da tributação absurda. Enquanto lá 1,5 litros de água eu paguei 0.16, aqui não pago menos de 2,5 contos. E por que isso? Leia aqui. )

Ah Finansfera, mas esses preços baratos é só em bebidas e tal. Aqui é muito mais barato você ir fazer compras no mercado, almoçar ou jantar fora.

Será mesmo? 

Vamos a outro exemplo então. 

Aproveitando que você estava no mercado comprando sua Delirium, você aproveita e dá uma passada na peixaria e vê uma promoção de salmão fresco. 59.90 ou 8.00 contos? Qual te parece promoção de verdade?

Não tá a fim de dar uma de masterchef? Então, que tal chamar a gata e ir em um buffet de sushi livre? 9.90 (no almoço era 8.50) ou 69.90?

Não é fã de sushi? Que tal um hamburguer artesanal por 8 a 10 conto com 350/400 gramas de carne. Barato mesmo é aqui no Brasil, que tu paga de 30 a 50 conto e vem com 100/150 gramas de carne.

Ou que tal ir jantar à noite em um a la carte? Lá, para um casal, com 30 conto te sobra dinheiro e você toma uma excelente garrafa de vinho para acompanhar. Aqui, um janta de mesma qualidade, não sai por menos de 100 conto.

Vamos abastecer o carro, o que você prefere pagar no litro? de 1 a 1.50 conto ou 3.50 a 4 conto?

(Acho que nem precisaria falar, mas para deixar bem claro: em todos os exemplos, o valor mais baixo corresponde ao preço pago lá fora.)

Ah, mas os imóveis são caros!!! 

Te sugiro a dar uma pesquisada e comparar... Esse site aqui é bem interessante: www.idealista.com

Mas de preferência compare cidades de mesmo porte. Aposto que você vai achar imóveis na faixa de 150k a 200k que aqui custam 800k a 1m.

E a cereja do bolo... os veículos... ah, a paixão nacional... 

Nem vou falar muito, apenas deixar duas imagens. Só relembrando que a ideia é não converter.

Mas se você quer converter.... beleza, então vamos pensar diferente... Quantos salários mínimos precisa para comprar o mesmo carro aqui e na Espanha?

(Para facilitar nas contas: salário mínimo na Espanha: $ 825,65. Fonte: http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/show.do?dataset=earn_mw_cur&lang=en. Salário mínimo no Brasil: R$ 937,00)


Preço na Espanha: 

Imagem: https://www.renault.es/gama-renault/renault-vehiculos-turismos/gama-captur/renault-captur/

Preço no Brasil:
Imagem: http://jornaldocarro.estadao.com.br/carros/renault-divulga-os-precos-do-captur/


Enfim galera, algumas coisas se formos converter os preços ficam muito próximos. Mas como falei logo no início, imagine um cenário de 1 para 1 sem conversão. 

Hoje vislumbro os impostos como os maiores vilões para nós, pois se paga uma carga tributária elevadíssima e não se tem retorno dos valores pagos. Mas ele não é o único bad guy do nosso custo Brasil. 

O fato de haver um mercado comprador e que paga caro abre essa margem para superexploração de preços praticados no Brasil, como o mercado automotivo. Enquanto houver fila de gente para comprar um Veloster ou qualquer outro carro, nunca chegaremos aos preços praticados lá fora. Para que vender com margem de 5% se dá para tirar 30%, 40%, 50% ou mais em cima? Afinal, no lugar deles possivelmente eu e você também faríamos o mesmo.

Poderia prolongar ainda mais e falar da falta de infraestrutura que encarece a produção e distribuição em nosso país, dentre outros pontos. 

Mas enfim, não me alongando mais, pois o objetivo era apenas passar essa impressão que trago na mala cada vez que volto.

E que impressão é essa? 

Ainda que por uma análise superficial, que é mais fácil praticar a frugalidade e atingir a independência financeira lá fora, seja na Europa ou EUA, do que aqui. Uma pena não ter tido essa experiência de vida quando mais jovem, pois hoje encontro-me enraizado demais para largar tudo e tentar uma nova vida. 

Abraço! 

12 comentários:

  1. Não necessariamente , países mais ricos tributam a renda em detrimento do consumo.

    Por isso bens de consumo são mais baratos na média, obviamente isso não é o único motivo.

    A produtividade deles é cerca de duas ou três vezes maior que a brasileira.

    Para fechar o caixão abrir um negocio demora alguns dias ou no máximo semanas contra 5 ou 6 meses aqui.

    Pagar tributos também é mais fácil já que existe menos alíquotas e um código tributário mais prático.

    Por ultimo não menos importante , nem tudo são flores boa parte das benesses sociais são pagas porque estes países investem em ativos geradores de renda em países emergentes, desenvolvidos etc, ou seja muito países são deficitários e apresentam demografia nada favorável para longo prazo, porem eles contornam este déficit capturando poupança de outros países para fechar a conta.

    Por exemplo boa parte dos países da periferia da zona do euro são sustentando pelos trabalhadores alemães, franceses etc.

    Na questão da tecnologia não da para bater de frente com EUA, são os maiores produtores de riqueza mundial, invenções etc

    Abraço



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    1. Obrigado pela contribuição Mestre, excelentes observações. São "n" itens que podemos elencar e claro também há outro lado, de quem paga a conta, como bem observado por você. Mesmo assim, ainda, na minha visão, nossa conta é muito mais cara. Abraço!

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  2. Muito bom post amigo! Você já começou quebrando algumas ideias da cabeça de diversos blogueiros. Quando pensamos em viajar para o exterior já pensamos nos custos e como isso atrasará nossa jornada rumo à IF. Na verdade como vc disse acontece o contrário, pois abrimos os olhos para outro mundo e nos motivamos mais ainda não é?
    Em relação à morar fora do país, como seria a questão para obter residencia permanente? É fácil na Europa? Uma vez pesquisei sobre os USA e vi que é bem complicado. Outra questão é trabalhar para ganhar em Euros... Eu pelo menos planejo atingir a IF para não trabalhar mais, e não para trabalhar em outro país. Pensando bem trabalhar na França deve ser uma moleza né? Sem falar que é bom para socializar...

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    1. Olá Bufunfa, no meu caso, cada viagem proporciona uma experiência incrível. Quem gosta de viajar sabe o que estou falando. Não há preço que pague respirar novas culturas e visitar lugares marcados pela história. Quanto à questão de moradia, como escrevi no post: hoje estou enraizado demais para sair daqui, somente se atingir a IF, pois não pretendo ir para lá e ter que construir toda uma carreira novamente. Em relação à residência permanente vai depender muito do país que você almejar ir viver, enfim, é questão de pesquisar. Como não estou nesse estágio, ainda não estudei sobre tal questão. Abraço!

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  3. Sempre disse que existe IF ou ficar rico, definitivamente, ter 1K não é IF !!

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    1. Fala Stifler. Cara depende de quanto a pessoa precisa para viver. A questão da IF é muito relativa e abre marge para muita discussão. Abraço!

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  4. Muito bom post!

    Viajar não é gasto, e sim investimento!

    O problema do Brasil, além do ALTÍSSIMO imposto, é o imposto de consumo. Países sérios tributam somente a renda, e fim! O rico paga o justo e o pobre paga justo. Aqui, além de se tributar a renda, se tributa o consumo. Ou seja, vc paga imposto duas vezes e quem se ferra é o pobre, que paga impostos altíssimos na hora de consumir o básico para viver.

    Existe um vídeo muito didático que mostra que na verdade nós só utilizamos realmente 1/4 de nossa renda. Os outros 3/4 ficam pro governo.

    Ridículo!

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    1. Valeu Enriquecendo. Excelente comentário, praticamente resume o meu post. O pior de tudo é que não vemos a cor desse dinheiro, né!

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  5. Bom dia, fiz minha primeira postagem no blog. Se puder conferir. Também já acresci o seu endereço. Grato pelo estímulo. www.InvestidorInvisivel.com

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  6. Nos países como EUA, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha,Austrália sendo frugal, vivendo num pequeno apartamento, não saindo, trabalhando bastante poupa-se muito dinheiro em alguns anos.

    Aqui, no Brasil os salários na media são bem menores.

    Abraço e bons investimentos

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    1. Não só salários menores, como custos maiores né DIL. Abraço!

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